quarta-feira, 26 de janeiro de 2011


numa tarde soalheira, eu, qual dona de casa extremosa estendi a minha roupa no estendal e segui rumo ao meu trabalho.. quando regressei não vi a roupa no estendal.. oops o que aconteceu? estava milimetricamente dobrada à porta de casa e as molas guardadas num montinho.
um gesto simples. mas que revela o que pode ser a rede de vizinhança e ainda ficou o aviso: "quando quiser deixe a roupa que nós cuidamos dela..."
numa altura que se fala tanto de rede social, "bla bla bla", não será esta uma boa prática para dissiminar?!? vale a pena pensar nisto
obrigada vizinha!*

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

o tempo passa..
e há pessoas que não sentimos passar esse imenso tempo que fica pelo meio, entre uma visita e aoutra.

lembro-me que as amendoeiras também estavam em flor.

lembrava-me do teu sorriso, da imensa vontade de te contar esta e outra coisa, na esperança que tivesses a solução. e desta vezes não foi diferente.

sempre gostei do teu abraço.
posso continuar a ser tonta e egoísta e querer-te aqui?*

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

gosto de sapatos e descobri que até gosto deles altos... sapatos de senhora :)
gosto de olhar para os sapatos que as pessoas usam.
gosto de criar teorias a partir dos sapatos que as pessoas usam sobre a personalidade da própria pessoa.
gosto de ver sempre os sapatos.. gosto mesmo.*

ps.: no outro dia já não tive curiosidade de saber que sapatos usavas.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


sou do tempo em que a chave estava na porta e a vizinha abria a porta e bradava:"prima Catarina!", a minha avó respondia e a vizinha entrava.


sou do tempo em que a minha vizinha espera por mim para me desejar um bom ano, ai vizinha tenha cuidado com o carro.. e o meu mau feitio matinal (vá, eu assumo às vezes prolonga-se pelo dia todo) se desfaz!*


ps.: já tinha saudades de escrever

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Adeus

Eugénio de Andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou
não chega para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias:
os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada. E no entanto,
antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar
o teu nome no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

é urgente recomeçar..
os cheiros.. e os sons..
sou maniaca com os barulhos repetidos e seguidos
e os cheiros... há cheiros que não me saem da cabeça. cheiros associados a coisas e pessoas. é curioso como alguns cheiros nos fazem viagem no tempo.*