quarta-feira, 2 de julho de 2008


a tua casa humilde sempre me tocou, porque podes ter poucas coisas a decorá-la, mas em cada divisão há sinal de Deus. uma poster na parede de Jesus, noutra Jesus no colo de Maria, um crucifixo e uma pequena imagem de Maria. desde a primeira vez que lá fui, que isso me marcou. e marca-me a forma como falas da tua relação com Deus.


olho a relação que tens com os teus filhos, tem coisas que aprecio e outras que não entendo. e tu fazes questão de me lembrar "ainda não é mãe, Dra!", sempre que se fala dum tema quente sobre algum dos teus filhos. como se fosse um pré-requisito ser mãe, para perceber de afectividade e do jogo de interesses, que se disputa.


tiras pão da tua boca, como muitas vezes o fizeste para dar aos teus filhos. sabes, tens 90 anos os papeis inverteram-se, são eles, os teus filhos que se devem preocupar contigo. devem visitar-te, saber como estás, o que precisas, ter tempo para ti e aliviar-te.


estimo-te. ensinas-me coisas.*
" Disse-lhes Ele: «Porque temeis, homens de pouca fé?» Então, levantando-se, falou imperiosamente aos ventos e ao mar, e sobreveio uma grande calma. "

terça-feira, 1 de julho de 2008

competência vs potência


Eu tenho competência (aptidão, poder) ,

mas não tenho potência (força, vigor, capacidade de realizar) .


nós brincamos e às vezes dizemos isto por graça. nos últimos tempos tenho pensado nesta frase. tenho-a até aplicado a mim própria e aos que me rodeiam. ora se as competências se trabalham, porque não trabalhar a potência. até tá muito em voga, as revalidações de competências. porque não também a revalidação das potências? *


sexta-feira, 27 de junho de 2008

no outro dia passei por um campo de girassóis, fiquei fascinada, apeteceu-me parar o carro e ficar ali a olhar...


entrei no hipermercado para fazer as minhas compras. à minha frente, numa espécie de rajada, passa uma senhora, qual criança a correr e curvar como se estivesse a andar de mota. na direcção contrária à minha, uma outra senhora que eu não conhecia, cruzámos os olhares perplexas da atitude. lembro-me que trocámos um sorriso.
da ocasião recordo claramente o sorriso trocado. apesar de ter partido duma situação estranha, foi verdadeiro e partilhado. fez-me pensar: ao longo do meu dia sorrio? verdadeiramente? sem medos?*

quinta-feira, 26 de junho de 2008

uma noite para comemorar...

A noite seria para a Mafalda Veiga, a Arena de Évora encheu-se para a receber. A hora do concerto ia aproximando-se, e no entretanto eu e a K. comentámos que é interessante reparar quem chega e como é. quando demos por eles ou eles por nós ficávamos sorridentes, a pouco e pouco fomo-nos cruzando com amigos nossos. e do nosso lugar gritávamos o seu nome. gosto deste género de encontro, em que nada está programado e tudo acontece.
estava curiosa para saber o alinhamento do concerto, se cantaria as músicas que mais gosto... e a Mafalda cantou, encantou e fez-me pensar.. partilhou um pouco a construção das letras e o que a havia motivado.
Aprende-se a calar a dor
A tremura, o rubor
O que sobra de paixão
Aprende-se a conter o gesto
A raiva, o protesto
E há um dia em que a alma
Nos rebenta nas mãos (tatuagem)
Esta é só uma noite para me vingar
Do que a vida foi fazendo sem nos avisar
Foi-se acumulando em fotografias
Em distâncias e saudade
Numa dor que nunca cabe
E faz transbordar os dias (uma noite para comemorar)
Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar (cada lugar teu)
Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E guardo este abraço só para ti (gente perdida)
Podia continuar a deixar retalhos das músicas e não me cansaria. cada música acaba por marcar uma fase/etapa da minha vida e faz-me relembrar coisas e pessoas.*

Mafalda Veiga - cúmplices

quinta-feira, 19 de junho de 2008


têm sido uns dias cheios de tanta coisa..

antes tinha a mania de ir escrevendo tudo o que sentia e vivia, tenho dias que volto a sentir essa vontade, de recuperar o velho caderno e deixar-me ir. colocar no papel o que vai cá dentro.. *